harry potter & a outra dimensão

confesso que, como é desde os onze anos de idade, tou ansiosa pra ler harry potter de novo. que bosta. da última vez, há dois anos, passei duas madrugadas inteiras lendo o half-blood prince em inglês no microsoft word. tinha alucinações, meus olhos secavam e se enterravam nas órbitas, mas eu não parava. não – a integridade de um obsessivo não pode ser ferida, então, se comecei esta ladainha aos onze anos de idade, tenho de terminá-la aos dezoito com a mesma dignidade de antes. ou seja: hesito entre ir agora mesmo comprar a merda do livro ou abrir o arquivo em pdf que acabei de receber. ia ao lançamento na fnac ontem às oito da noite, mas… ah. a noite não estava propensa a programas mais longos que o caminho até a padaria e outro maço de cigarros.
isso porque tinha de estar trabalhando nos cem desenhos de observação que tenho de entregar quando as aulas voltarem. só que mais uma vez, com um golpe de sorte no meu grande rabo, a data de entrega foi adiada e posso aproveitar mais um bocadinho os últimos momentos de férias ociosas, em que fazer testes estúpidos e ler harry potter significa o mundo todo.
enquanto isso…

(17:32) (li) Lord Gabe MacArthur: a cada minuto que vc ficar fora, é um spoiler
(17:32) (li) Lord Gabe MacArthur: snape é o novo diretor de hogwarts
(17:33) (li) Lord Gabe MacArthur: o harry perdeu um braço

o resto não li porque fechei a janela em desespero. mas depois fiquei sabendo que só cinco dentre os muitos que recebi são verdade. o harry perdendo um braço seria empolgante! e todo mundo tem que morrer pra essa merda não ter possibilidade de continuar. a não ser que me apareça a j. k. rowling com harry potter & a outra dimensão.

sim, sou alienada e não vou dizer nada sobre desastre em congonhas, nem morte de acm, nem exposição de cartazes produzidos durante o período de greve da faculdade. já vi e discuti o suficiente sobre estes assuntos, e, lamento imenso, este blog não é sobre a minha decepção com o país em que vivo. o silêncio aqui não tem papel de vista grossa, mesmo eu não tendo talento algum para politizadora e militante das massas oprimidas – eu só acho as notícias tão absurdas que seria redundante ficar apontando e lembrando como estamos na merda. não quer dizer que não tenha opinião sobre nada disso. o silêncio é só o meu cansaço. eu não acho que posso mudar o brasil. algumas pessoas nascem pra isso, vivem, morrem, mas não eu; falo aos eternos deslumbrados com a vida e o mundo, que sabem ser completamente inúteis para mudar as estruturas concretas – concretas: ainda há o objetivo de sensibilizar – das coisas e fascinados demais com tudo para sequer tentar fazê-lo. eu sou do tipo que conta as histórias, fantasia, fabula, pinta e colore, não importa se é feio, se é grotesco, se é desesperador. tudo é sentimento, e belo por isso. sou do tipo que leva a vida como ela me leva, decisões que vêm de impulso e entranhas, nunca nada verdadeiramente racional, sempre apaixonada pelo que me acontece pelo caminho, mas sem realmente saber como cheguei lá. mudar a história não é comigo. prefiro falar de harry potter.

7 Respostas to “harry potter & a outra dimensão”

  1. Carla Says:

    não te acho alienada, trixie. pelo contrário: os assuntos que tu evitas no teu blog já estão devidamente saturados. eu postei sobre o acidente da tam por puro acaso: era madrugada e eu estava, como todo mundo aqui em POA, preocupada em (não) encontrar algum conhecido na lista de passageiros.

    estou deveras cansada de política e afins. até porque,

    “Só isto, de fato, tem importância: a nossa individualidade, a nossa vida privada, a nossa família, os nossos amores, os nossos amigos, a nossa memória, a nossa lenda pessoal, os objetos dos quais nos tornamos íntimos — sim: os nossos leitores! Tudo isso que um país coalhado de canalhas, de idiotas, de incompetentes, de truculentos, de “utopistas” da desgraça, de demiurgos matusquelas, de messiânicos chinfrins, insiste em nos roubar. Tudo isso que foi roubado daquelas 300 famílias, vitimadas pelos medalhados prepotentes.”

    sobre o harry potter: parei no quarto livro. se tu começaste aos onze e tens dezoito, eu comecei aos quatorze e parei aos quinze, hehe. eu costumo ser bem persistente, mas dessa vez fui vencida. a j.k. tem a honra de dividir com o josé de alencar, homero e musil o troféu “carla não foi ao fim”.

  2. trixie Says:

    acho que se tivesse vindo postar no blog no dia do acidente, também teria falado qualquer coisa ou duas. inevitavel, ainda mais quando se procuram nomes de conhecidos na lista de passageiros… (imagina só, uma amiga minha viu lá uma sônia machado, mesmo nome da avó dela que mora no sul.)

    sim. são estas as nossas prioridades, família, amigos, a nossa vida, e só o que deveria importar, na verdade – não é nossa responsabilidade ficar enchendo a cabeça com desastres aéreos. eles nem deviam acontecer, pra começo de conversa. ao menos não dessa maneira.

    ish, eu tenho uma grande coleção de “trixie não foi ao fim”. mais foco, mais foco na minha vida, por favor.

  3. Pedro Morgado Says:

    Please, don’t let J. K. Rowling kill Harry Potter.🙂

  4. Lord Gabe Says:

    Não sei se vc se lembra, mas fui eu quem te mandou o arquivo do Half-Blood Prince tb! Eu instigo o vicio nas pessoas hahaha…

    Enfim, terminei de ler! Posso Spoilerar até cansar agora…

    E por sinal, apenas um dos spoilers que você publicou é verdadeiro…

    Ando sendo muito citado no seu blog hein, sinto-me honrado!

  5. trixie Says:

    duas vezes, POR ACASO!

  6. diogo Says:

    tipo, falar de arte é melhor do que falar da realidade.
    eu sempre ficava me perguntando “a vida imita a arte ou a arte imita a vida?” e eu cheguei numa resposta do tipo “a vida não imita a arte porque a arte é bela e a vida não”
    e sabe, eu odeio quando acontece alguma coisa desatrosa como esse acidente aí, e fica falando na tv O TEMPO TODO, porque eu penso nos familiares. Tipo, todo mundo morreu e você quer esquecer (tentar se abstrair de toda a merda o máximo possível, pelo menos) e aí você liga a Tv (possível distração) e tá lá, o “acidente que matou a sua família”. Nunca entendi, também, aquelas pessoas que pedem alguém num assassinato e ficam na TV gritando “Ele matou meu filho, quero justiça!”. Se fosse comigo, eu acho que eu não moveria um dedo e nenhum músculo facial pra pronunciar qualquer coisa a respeito da tragédia. sei lá…

  7. trixie Says:

    eu acho que também não. aliás, acho que nem ia falar sobre o assunto durante um tempo, também não ia querer ver outras pessoas… e muito menos aquilo dito na televisão o tempo todo.

    a vida imita a arte… e muitas vezes a supera.

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